Com a eleição presidencial ainda dividida, a Armor Capital decidiu não fazer apostas direcionais no Brasil e manter suas principais posições no exterior, segundo Alfredo Menezes, presidente e CIO da gestora. Ele pretende aguardar o primeiro turno para definir aplicações de prazo mais longo no país. Até lá, a casa opera no giro diário e em estratégias long-short.
Em um cenário de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Menezes não espera ajuste fiscal no quarto mandato, mas também não vê o dólar chegando a R$ 6. Ele prevê piora do quadro fiscal e alta da inflação, talvez em 2028 ou 2029, repetindo o clima de dominância fiscal de 2024. Para o gestor, a correção terá de vir pelo lado dos gastos, já que a carga tributária é alta.
Leia tambémPesquisa usa sinais cerebrais para a IA perceber quando errou a intenção do usuárioNo exterior, Menezes acompanha a competição por recursos entre o governo americano e as empresas de tecnologia, que buscam financiamento para investir em inteligência artificial. Na visão dele, essa disputa pressiona juros e crédito nos Estados Unidos e em outros países, inclusive no Japão. Por isso, a Armor aposta na alta dos juros americanos e prefere setores que protejam a carteira em caso de desaceleração global.
Para o gestor, as ações das grandes empresas de tecnologia já subiram bastante com a IA, e o ganho agora deve migrar para as companhias que usam a tecnologia, como bancos, seguradoras e prestadores de serviços jurídicos e contábeis. A gestora está comprada em bancos americanos de varejo e, no Brasil, faz arbitragem entre bancos conforme o potencial de ganho de produtividade com IA.
Entre outras posições, a Armor está vendida em petróleo, por esperar o barril a US$ 60 no próximo ano após o fim da guerra no Irã, e comprada em prata, usada em semicondutores e energia solar. Em câmbio, aposta na desvalorização do peso mexicano e do euro. O real, avalia Menezes, está entre as moedas emergentes mais resilientes, mas sofreria com uma queda do petróleo.
Por que isso importa para empresas
- A leitura do gestor indica que o mercado já precifica ganhos de eficiência com IA em bancos, seguros, jurídico e contabilidade, o que aumenta a pressão competitiva sobre empresas brasileiras desses setores.
- A disputa global por capital para infraestrutura de IA pode manter o crédito mais caro, fator a considerar no planejamento de investimentos em tecnologia financiados com dívida.
Texto da Redação IA BRAZIL, escrito a partir da matéria publicada por InfoMoney. Título original, imagem e matéria completa pertencem à fonte.



:quality(85)/91d1635b-15e4-4706-8c68-86032e250499.jpg)
